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O Fim da Era Eisner (por Celbi Pegoraro) - Parte III

O Fim da Era Eisner (por Celbi Pegoraro) - Parte III

Na Parte II, analisamos o período crítico da Disney a partir de 2001. Agora falaremos sobre o fim de sua gestão. (Atualizado em maio de 2006)

Adeus Eisner! Bem-vindo Iger!

E Eisner no meio de tudo isso? Michael Eisner passou a ser o centro dos problemas quando inúmeras partes da companhia começaram a faturar menos que o esperado. Um dos maiores defeitos apontados por ex-executivos em matérias da imprensa americana, foi o chamado micromanagement forçado pelo presidente. Esse micro-gerenciamento fazia com que praticamente todas as decisões finais partissem do CEO e não dos chefes de cada empresa da companhia. Desse modo, a partir do fim dos anos 90, vimos um verdadeiro êxodo de bons profissionais saindo da Walt Disney Imagineering (empresa que imagina e constrói atrações dos parques), da gerência dos parques e da rede ABC (rede de TV cuja audiência desabou um ano após a aquisição em 1996.... e só se recuperou recentemente graças a Lost e Desperate Housewives). Ainda por cima, algumas decisões foram muito criticadas como o atraso na compra dos Muppets, e a negação de Eisner para comprar os direitos de cinema da série Harry Potter ou dispensar O Senhor dos Anéis porque achava que seria mais sensato produzir dois e não três filmes. Peter Jackson levou a idéia para a New Line (do grupo Warner) que aceitou a trilogia. Aliás, a complexidade da Disney pode ser complicada para o cinéfilo comum entender. Que tal o filme Sin City? É um filme da Dimension Films... mas a Dimension é parte da Miramax, e a Miramax é de propriedade Disney!

Na área de parques temáticos, resolveram investir menos nos novos projetos de parques como o Disney´s California Adventure (parque vizinho da Disneyland original), do Walt Disney Studios Paris (parque aberto em 2002) e da Hong Kong Disneyland, aberto este ano sem muitas das atrações clássicas das antigas versões do parque. Fora isso, o estado de manutenção dos outros parques, como a Disneyland, era tão lastimável que surgiram verdadeiras campanhas pedindo mudanças. Era comum sites passarem semanas publicando fotos de locais do parque precisando de reformas. Na animação, as decisões vindas dos engravatados passariam a ter muito mais peso que as dos artistas. Aliás, o excesso de "vice-presidentes" foi muito criticado, e as idéias equivocadas baixaram a moral dos animadores. Por exemplo: Achar que mudar o título de um filme de "Kingdom of the Sun" para "Kingdon IN the Sun" iria salvar a produção beira o ridículo. Planeta do Tesouro custou menos que seu orçamento milionário inicial, mas mesmo assim a equipe teria sido obrigada a apagar 95% das aparições de espadas no filme.

Eisner pessoalmente causou mudanças inesperadas quando mandou que o sexo da protagonista original de O Galinho Chicken Litte fosse mudado de garota para garoto. Isso já com boa parte do filme já montado em storyboards. E para piorar, Stainton esperou a equipe da Flórida começar a animação de A Few Good Ghosts (antigo "My Peoples") com a alegação de que o tema do filme não teria boa aceitação internacionalmente. Agora se pergunta: Por que não viram isso antes de aprovar o projeto? E nem vamos entrar na discussão dos projetos mirabolantes para animados, que mereceria outro artigo. Além de toda essas decisões equivocadas, ainda veio o turbilhão de demissões, fechamento de estúdios, e o treinamento (as vezes traumático) dos veteranos artistas na animação computadorizada. Esses "ajustes" na Disney, em nome de chegar mais perto dos "novos gostos" do público, atraiu a ira dos fãs, dos animadores e de Roy E. Disney, ex-chairman do estúdio e vice-chairman do board, que pedira demissão no meio dessa confusão.

A campanha de Roy E. Disney teve seus prós e contras. Prós porque a Disney realmente necessita de uma mudança. E uma mudança de cima pra baixo. Contra porque a atitude dele de combater Eisner de forma mais clara foi vista com certa negatividade, sendo que muitos achavam que Roy pensava apenas em sua agenda. Seus ataques e provocações fizeram até Diane Disney Miller (filha de Walt) aparecer para dizer que apoiava a saída de Eisner, mas não a campanha do primo, que considerava destrutiva. A campanha visava apresentar todos os podres da companhia, e usar (com ajuda dos fãs) a internet para promover um veto à atual gestão na reunião de acionistas realizada em 2004. O peso negativo dos votos contra Eisner forçaram a Disney a tirá-lo da presidência do board, e o forçaram a procurar um sucessor. E nesse meio tempo, apareceu a Comcast oferecendo bilhões para abocanhar, sem sucesso, a Disney. A campanha de Roy foi turbinada pelos animadores recém demitidos e outros apoiadores, que fizeram abaixo-assinado a favor dele. A mesma simpatia veio dos cast-members (funcionários dos parques temáticos).

Ainda que se esperasse um candidato externo, muita gente apoiava um executivo da própria Disney (que conhecesse a máquina) para substituir Eisner. O favorito era o então vice-presidente Bob Iger. Iger entrou na Disney via aquisição da ABC pela Disney em 1996. Na época, era presidente da rede ABC, e sua tarefa anos depois (mesmo como vice-chefe da companhia Disney) era provar que podia fazer a ABC se renovar e dar lucro. Isso foi conseguido a duras penas, e Iger ganhou confiança interna e externamente.

Michael Eisner, tendo escolhido o sucessor, resolveu se aposentar um ano antes do previsto. Saiu em setembro de 2005 após a inauguração da Hong Kong Disneyland.  Já durante os festejos do cinqüentenário da Disneyland, Eisner era coadjuvante e Iger anunciado como CEO eleito, e aplaudido pelo público. Ele conquistou graças aos 20 anos chefiando muitas inimizades, como alguns atritos com Spielberg e George Lucas. E as discussões com Steve Jobs para renovar contrato com a Pixar chegaram a níveis abissais. Com Iger, essas relações se abriram com a venda da Pixar para a Disney. O bom é que os parques temáticos americanos ganharam maior atenção no último ano. A Disneyland foi totalmente reformada para celebrar seus 50 anos. O complexo de Orlando-Flórida ganhou adições como a "Expedition Everest".

Enfim, Michael Eisner, não é o diabão como muitos pintam. Ele, de fato, salvou a Disney do colapso em 1984. E transformou uma simples companhia com estúdio e parques num gigante conglomerado de mídia. Desses 20 anos, seu problema foi ter centralizado demais as decisões nos últimos dez. Causou atritos, equívocos, passou-se a ver Disney muito mais como "marca" (assim como a ESPN, que veio junto na compra da ABC), e transformou seus filmes especiais em filmes banais (o que piorou com as continuações). Esqueceu do básico, o respeito à magia de seus personagens, e o que estes representavam/representam às pessoas. Fica o desejo de boa sorte ao Bob Iger para que faça uma administração competente, e que retorne a Disney aos eixos.

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